Especificações
- 232
- páginas
- ano
- 2026
- 372 g
- isbn
- 978-65-80341-44-3
- LANÇAMENTO: 31 DE MARÇO DE 2026
Os navios e navegadores franceses foram, ao lado dos ingleses, os que mais frequentaram a costa brasileira entre os séculos xvii e xviii. Navegantes franceses no Brasil Colônia: relatos de viagem, 1615-1767, organizado por Jean Marcel Carvalho França, traz catorze impressões de viagem, nenhuma delas, até agora, editada em língua portuguesa — e a maioria nem mesmo na sua língua original, o francês.
Uma delas, a de Thomas de Lastre, pertence ao século xvii; três, à segunda metade do século xviii, em torno da renomada viagem de circum-navegação capitaneada por Louis Antoine de Bougainville em 1767, que contou com uma ancoragem no Rio de Janeiro. A maioria, no entanto, foi redigida entre 1698 e 1720, período em que a Marinha francesa se esforçava para levar o comércio e o corso — a pirataria autorizada pela Coroa — aos ricos portos espanhóis do Mar do Sul, no Pacífico, percorrendo uma rota que previa ao menos uma passagem pela costa brasileira para reabastecer — no Rio de Janeiro ou na Ilha Grande —, antes de seguirem viagem para o cabo Horn e daí para os cobiçados portos chilenos e peruanos.
Alguns desses textos são extensos e descrevem com riqueza de detalhes as gentes e os lugares vistos na costa brasileira; outros dedicam-se a narrar a pirataria aí praticada, sobretudo na Ilha Grande, que então padeceu com os ataques corsários; parte considerável dá atenção especial aos fortes e às fortalezas que guardavam os portos visitados; e há ainda os que dedicam muitas linhas a reclamar dos governantes locais e da recepção pouco amável que as embarcações em que viajavam tiveram nos portos brasileiros.
Os relatos reunidos em Navegantes franceses no Brasil Colônia dão a conhecer duas histórias: a da Marinha francesa e suas incursões pelos mares da América Austral e, principalmente, a das imagens do Brasil e dos brasileiros de outrora traçadas pelos estrangeiros em suas narrativas de viagem.
Jean Marcel Carvalho França é professor titular de história do Brasil da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e autor de diversos livros.
Trecho
O Brasil é habitado por portugueses, um povo muito dado ao prazer, extremamente preguiçoso, arrogante e ciumento. Os únicos serviçais de que dispõem são escravos negros, aos quais tratam pior do que aos cães, e sempre que se dirigem a eles é a porretadas. As mulheres também vivem na escravidão, não desfrutando de nenhuma liberdade; se um amigo do marido visita a casa, a esposa desaparece. Os homens, desde jovens, são viciados em mulheres e, a partir do momento em que saem da concha, são compelidos a ter um caso de amor […]. As mulheres, por sua vez, são astutas e sabem como se vingar da infidelidade de seus maridos; pode-se mesmo dizer que não há na cidade uma única que não esteja metida em alguma intriga amorosa […].
Outro oficial do Phelypeaux
Durante a nossa arribada, vimos um navio desembarcar duzentos negros vivos, entre homens e mulheres, e quase uma centena de cadáveres dos que morreram no mar de doença ou de tristeza. […] Todos foram levados para um grande armazém, onde são expostos, tal como num mercado, aos olhares daqueles que os querem comprar […]. Os comerciantes costumam dar quinze dias de garantia em razão de uma doença a que estão sujeitos os recém-desembarcados, um inchaço que atinge as pernas e os dedos dos pés e que, muitas vezes, leva à morte em um dia. A causa do mal, mais do que qualquer outra coisa, é a tristeza.
Sr. Duplessis




















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